domingo, 22 de novembro de 2009

Olá moças bonitas,

Este final de semana participei de um movimento e tive a oportunidade de entrar em contato com várias mulheres e de ouvir a história de algumas delas, compartilhar momentos de riso e alegria, mas também momento de dor e desabafo. Muitos desabafos de dor. Digo que voltei para casa me sentindo mais rica por cada uma das histórias que elas compartilharam comigo. Mas também me senti doída. Não vou entrar em nenhuma das histórias em especial, mas digo que muitas delas me pareceram surreais. Não que não soubesse que casos como os que ouvi existissem (abuso, dor, rejeição, depressão, pobreza, medo, violência, falta de amor, ....). Sempre soube. Eles estão diariamente nos noticiários. Mas uma coisa é ouvir um Cardinot ou uma Fátima Bernades relatando algo e outra é ouvir a própria vítima que muitas vezes não consegue terminar de contar a própria história porque se perdeu entre seus soluços e lágrimas.

São quase 1h da manhã da segunda e, por algum motivo, senti a necessidade de compartilhar isso com vocês. Apesar de sermos amigas e estarmos mais próximas do que jamais estive daquelas mulheres antes, talvez eu não saiba metade da história de vocês. Não sei se há casos piores dos que o que ouvi (espero que não), mas isso não significa que não tenhamos nossos dilemas (e me incluo).

Por um lado esse fds serviu para ver que muitas vezes, criamos a maior parte de nossos problemas. Às vezes nossas dores são fabricadas por anseios passageiros e vontades não satisfeitas, mas não pela falta e impossibilidade de que uma necessidade real seja suprida. Isso nos permite parar para pensar como somos privilegiadas pela família que temos, pela condição social, pelos amigos, pela amor que sempre nos foi demonstrado, pela possibilidade de dizer não ao que nos faz mal, pela conhecimento que nos permite ver que caminhos são prejudiciais às nossas vidas.

Mas isso também nos faz (pelo menos a mim) pensar sobre quantas pessoas se negam o direito a serem felizes. O que leva uma mulher se deixar ser violentada por um homem? O que dá o direito de um homem levantar a mão contra uma mulher, maltratá-la com palavras, fazer dela a segunda opção, um telefone para aquele dia em que não há nada mais interessante para fazer? O que dá direito a um homem usar uma mulher como um objeto? E o que faz uma mulher se submeter a isso? Falta de conhecimento de seus direitos, falta de apoio, falta de amor na infância e uma personalidade insegura? O que faz uma mulher não se sentir digna de ser amada de toda a alma por alguém (seja um pai, uma mãe, um amigo, um namorado, um marido, ....).

Todas merecemos o maior amor do mundo porque somos especiais. Somos mais que especiais. Deus nos criou com todo carinho, Ele depositou em nós os maiores e melhores sonhos, Ele quer que sejamos pessoas de sucesso, felizes, amadas.

Como disse antes, termino esse fds sentindo um misto entre o sentimento de riqueza e de dor. Porém, acima de tudo, imensamente grata por ter podido fazer parte de momentos importantes para essas mulheres, momentos onde muitas delas tiveram pela primeira vez alguém que as ouvisse de verdade, pois todas se ouviam mutuamente.

Só que não apenas isso. Talvez o maior aprendizado desses dias seja o de que nós somos ESPECIAIS, somos ÚNICAS, somos ÍMPAR e não devemos nos contentar com nada além da vontade de Deus para nossa vida. E a vontade dele é a de que sejamos FELIZES.

Nunca deixe que ninguém diga que você não vale. Nunca deixe que ninguém faça você se sentir como se não valesse a pena. Felizardos são os que nos conhecem.

Agora sobre a questão da violência e do abuso mais especificadamente só queria pedir uma coisa. Fale para as outras mulheres que você conhece que elas merecem ser amadas e respeitadas. Que elas têm direitos e devem, sempre que preciso, buscar o respaldo da lei. Leis como a Maria da Penha estão aí para serem cumpridas e cabe a nós cobrar esse cumprimento sempre. Mesmo que a mulher com quem você falar não esteja passado por uma situação assim, ela conhece outras mulheres que conhece outras e assim por diante.

Sempre há alguém precisando de uma palavra de encorajamento, de um esclarecimento, de um ouvido atento. Basta pararmos um pouco e nos deixarmos ser esse canal de bondade.

Com muito, mas muito, muito mesmo, carinho
euzinha,

domingo, 27 de setembro de 2009

A partir da pergunta “o que te faria feliz hoje?”

Recebi um e-mail falando sobre um novo post em determinado blog. Não lembro o nome do blog nem lembro o título do post, apenas da foto – duas mãos e sobre elas um traçado unindo suas linhas – e a palavra feliz. Naquele momento vi o título de uma outra postagem mais antiga. Era “o que te faria feliz hoje?”. Não deletei o mail. Também não li o post. Mas toda vez que abro minha caixa e vejo a mensagem me volta à pergunta.

O que te faria feliz hoje? Não amanhã. Não o que gostaria que acontecesse essa semana, nem o que você espera há muito. Também não se trata do que você gostaria que tivesse acontecido, do que queria mudar. A pergunta tem prazo de validade curto. Vence hoje, dentro de poucas horas. No próximo badalar da meia noite.

Apenas um oi? Uma ligação que você já tinha desistido de esperar? Um beijo? Saber que alguém percebeu o que você queria dizer, mas não disse? Finalmente escrever aquele texto que tenta há dias? Falar o que está preso na garganta, mas por falta de oportunidade ou de coragem sempre deixou pra depois? O que te faria feliz hoje?

A felicidade está nas linhas de nossas mãos, na posição das estrelas, nas esquinas do destino. A felicidade está também no acaso, na mudança de rota, está no construir o dia a cada dia, na falta de caminhos traçados ou pré-escritos. A felicidade está no contorno daquele sorriso, no sentir o olhar carinhoso de alguém que queremos bem, no abraço ou no simples toque de dedos. A felicidade está na lembrança do que era para ser, mas não foi, e talvez tenha sido melhor assim, está na do conseguir dizer “finalmente”, no “até logo”, no “te amo” e no “eu também”, no “que bom”, “no “ai que surpresa”, no “nossa, PQP!”, no “golaaaaaço”, no “já vou, me espera?”, no “sim”, no “não. A felicidade está ainda no silêncio, nos olhares e no desviar de olhos. Está em sentir que o outro respira, que a cidade acorda, que você adormece.

sábado, 7 de março de 2009

El rockandroll de los idiotas

A primeira música que ouvi de Joaquin Sabina foi “Contigo”. Quando me apresentaram essa canção brincaram que era uma música para se ouvir “en un día de dolor de codo” (dor de cotovelo). Talvez... ou talvez não...

Fantástica letra, fantástica melodia. Aspectos que acrescidos a uma característica voz meio rouca fazem dela uma música que não é triste nem alegre, mas marcante, como poucas. Um relato de alguém que busca (e sabe que só ali irá encontrar) nas imperfeições diárias a perfeição. Que não busca um conto de fadas, mas a intensidade da vida.

“Contigo” faz parte do disco “Yo, mí, me contigo”, o 12.º (ano de 1996) de Joaquín Sabina, um cantor espanhol muito divulgado nos países de língua hispânica. Aliás, essa foi uma questão que meu amigo (que me apresentou a música) comentou. Ele achava incrível Sabina não ser conhecido no Brasil, por exemplo. Mas logo reparou que não se trata de um cantor feito apenas para ter suas melodias ouvidas, como muitas vezes acontece com as músicas em inglês. “A beleza está em entender o que ele fala”, completou.

Bom, depois disso fui atrás de encontrar um CD dele. E, que me perdoe a indústria fonográfica... terminei achando toda a discografia de Sabina em MP3 e por nada mais do que R$ 5,00. Claro, não pude desperdiçar a oportunidade.

Nessa caixinha de músicas vieram umas tantas outras além das contidas no CD “Yo, mí, ...” e que gostei bastante: “No permita la Virgen”, “La canción más hermosa del mundo”, “Lágrimas de plástico azul”, “Corre, dijo la tortuga”, “El rockandroll de los idiotas” (hoje minha preferida e por isso o vídeo – dá pra chamar de vídeo?? – do post).

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Mais demissões no jornalismo pernambucano

Agora pouco fiquei sabendo de mais uma seqüência de demissões de jornalistas aqui em Recife. Essa foi a segunda notícia do tipo em menos de 15 quinze dias. Nas duas, senti como se fosse comigo. Senti a insegurança e o receio de fazer planos com medo de contar com algo que pode deixar de existir de uma hora para outra. Estamos todos no mesmo Titanic e muito provavelmente o último Jack já morreu afogado. Tenho medo de não ficar velhinha.

Desde o dia 26 busco emprego. Não estou procurando nada em assessorias. Não no momento. Resultados da busca? Até agora consegui vários nãos, uma entrevista e um teste, ainda sem resposta. Tomara saia algo logo, afinal, uma moça precisa arrumar um jeito de manter nessa vida. E quero que seja trabalhando como repórter.

Quando fiz o teste, uma das perguntas que tive que responder foi: “Por que você escolheu o jornalismo como profissão?”. Essa é a pergunta mais chata que alguém pode me fazer. Sei lá porque escolhi o jornalismo como profissão, e não sabê-lo não faz de mim uma profissional pior ou melhor. Também não teria uma frase bonita para explicar porque continuei nele, mesmo podendo ter mudado o rumo quando comecei a ouvir e ver os inúmeros problemas do mercado de trabalho. Talvez tenha sido porque sou cabeça-dura e teimo em insistir nas minhas escolhas, talvez porque não tenha conseguido me imaginar fazendo outra coisa, ou talvez porque me apaixonei pelo jornalismo.

Você consegue explicar paixão, explicar gostar? Eu não. Só sei que quando vejo uma matéria, ouço um programa de rádio ou leio um jornal e percebo que, de alguma forma isso mexeu comigo e me fez parar e refletir que existe muito mais no mundo do que aquilo que enxergo da minha janela, tenho certeza de que é isso o que quero fazer. Quero poder, também, mexer, impactar as pessoas, contando histórias. Quero ser um contador de histórias reais.

Obviamente existe um fundo de ideologia nisso que acabei de colocar, um quê de glamourização. Ok! Mas o que seria da vida sem elas?! Ainda tenho tempo para isso. Sempre se tem. Talvez daqui a alguns anos eu esteja dizendo que quero distância do jornalismo, que as redações pagam extremamente mal, que exploram, que não se pode escrever a verdade. Tudo que hoje sei, mas que finjo ignorar. Que importa?! Mientras esto, me divirto com meu passatempo preferido: reportar a vida. Mesmo que seja só para mim.
Notícias não publicadas
Ele tem aproximadamente 50 anos.
Experiência? Muita. Mas experiência também custa caro. Para quem dá e para quem recebe. Hoje foi o último a sair da sala. Antes olhou ao redor. Estava tudo silencioso. Ao ver aquela calma, ninguém seria capaz de imaginar os conflitos e barulhos de horas antes. Respirou fundo e deu logo as costas. Não era de melodramas. Aprendera, há muito tempo a ser objetivo. Rápido, certo e objetivo. Rodeios e falhas eram imperdoáveis. Foi um bom aluno. Então apagou as luzes, bateu a porta. Lá embaixo um táxi o esperava.
No caminho pensou: E agora? O que posso fazer? Durante esses anos havia aprendido muitas coisas, as pessoas paravam para escutá-lo, lhe davam crédito. Entretanto, não sabia fazer nada mais fora isso. Tinha apenas o dom das palavras. Será que não estava na hora de parar, então?! Não - pensou. Tinha contraído o vírus do não parar nunca. O mundo não dorme, sempre está acontecendo algo. E ele, em algum momento de sua vida, também tinha sido contagiado e entrado no ritmo do mundo. Adquirido a necessidade de saber o que acontecia e acompanhar seus desdobramentos, não importa onde fosse. Ele também não parava. Não sabia como fazê-lo.

Na manhã seguinte, do outro lado da cidade, bem cedinho alguém sai de casa para ir na padaria. Antes de voltar esbarra com um vizinho, diz olá e segue para a banca. Olha as manchetes, escolhe um jornal e leva para ler com calma as notícias publicadas.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

"Estoy tan cansada de las canciones de amor ,siempre hablan de un final feliz...
bien sabemos que la vida nunca funciona asi."

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

“A certeza é inversamente proporcional ao conhecimento. Bela ciência, hein?”

Uma coisa boa dessas minhas férias “forçadas” é que estou aproveitando para ler. E ler muito. Confesso que vinha me achando extremamente burra. Verdade que se viessem me perguntar algo sobre a guerra na Geórgia ou a confusão agrária no Paraguai, eu seria capaz de uma verdadeira incursão teoria, repleta de argumentos e contra-argumentos. Mas... sequer sabia o último lançamento da semana em CD ou livro. Isso me deixa péssima. Assim que... resolvi botar mãos-à-obra.

Minha primeira ação no retorno ao mundo fora das páginas de internacional foi ler Mentiras no Divã. Ganhei esse livro de amigo secreto (de um amigo que nunca tinha visto na vida e não voltei a ver depois desse dia). Pra dizer a verdade, o que me motivou a ler foi, unicamente, o fato de o autor ser o mesmo de O Dia em que Nietzsche Chorou, apesar de não ter lido esse livro, soube do sucesso e fiquei curiosa para ver alguma obra do autor.

Mentiras no Divã conseguiu prender minha atenção no primeiro capítulo – fundamental para que eu continue. E mesmo que em muitos momentos tenha me sentido totalmente por fora de termos (não tenho a menor familiaridade com o universo da psicologia) o autor consegue fazer a leitura fluir ao longo de uma história que, em certos momentos, nos permite tomar posse das análises das personagens. Assim, sem menos esperar, lá estava eu, me arriscando em um exercício de construir a linha da minha vida e colocar um ponto sinalizador para meu momento atual. Ou, ainda, pensar acerca das privações que nos impomos e que se convertem em frustrações várias.

Tá bom que não foi dos romances mais profundos que já li, mas recomendo. Realmente vale a pena, tanto para os profissionais quanto para leigos que como eu.

Fiquei com saudade do livro. Acho que isso é um bom sinal. Raramente personagens me deixam saudades.

Ah, sim, a frase que está no título faz parte de um dos diálogos do livro.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009



Às vezes tenho vontade de escrever como quem anda sem rumo, como alguém que pega uma estrada e apenas segue. Onde ele vai chegar pouco importa. Na verdade não importa nada. Ele apenas caminha porque, ali, ele é ele, sem cobrar ou dar explicações. Faz seu caminho livre.

Nesse texto-caminho cabem todas as certezas e incertezas, angústias e felicidades, esperanças e frustrações numa espécie de sopa de letrinhas. Esse alfabeto desliza, passeia pelos meus olhos em um vai e vem, onde vogais e consoantes se unem formando palavras, sentenças, frases, orações e parágrafos que logo se apartam e voltam a se unir com outras, dando lugar a novas palavras, sentenças, frases, orações e parágrafos.

Sentimentos sempre são complexos.

Às vezes queria tomar o lugar do acendedor de lampiões. Aquele do Pequeno Príncipe. Queria conversar com o senhor dos tempos, que acende e apaga os dias, que dá volta aos relógios e, portanto, pode influenciar os sentimentos dos pobres-mortais sujeitos aos seus eternos tic-tacs.

Juro que se tivesse dois minutos com ele, o convenceria a congelar alguns momentos, a me dar mais alguns minutos. Anos, meses, semanas, dias, horas... Quantas frações são necessárias para mudar um curso?

sábado, 17 de janeiro de 2009

No te salves

No te quedes inmóvil
al borde del camino
no congeles el júbilo
no quieras con desgana
no te salves ahora
ni nunca
no te salves
no te llenes de calma
no reserves del mundo
sólo un rincón tranquilo
no dejes caer los párpados
pesados como juicios
no te quedes sin labios
no te duermas sin sueño
no te pienses sin sangre
no te juzgues sin tiempo

pero si
pese a todo no puedes evitarlo
y congelas el júbilo
y quieres con desgana
y te salvas ahora
y te llenas de calma
y reservas del mundo
sólo un rincón tranquilo
y dejas caer los párpados
pesados como juicios
y te secas sin labios
y te duermes sin sueño
y te piensas sin sangre
y te juzgas sin tiempo
y te quedas inmóvil
al borde del camino
y te salvas
entonces
no te quedes conmigo


Mario Benedetti

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Adeus mono!!!

Depois de um longo período vegetando na frente do computador – diga-se como uma linda mudinha – finalmente terminei minha monografia finalmente apresentei e finalmente passei. E a vida recomeça... ou começa... Sei lá, mas às vezes acho que deveria ter cursado direito

sábado, 29 de novembro de 2008

Às vezes a gente fica tão acostumado a contabilizar o número de mortes que elas acabam se restringindo exatamente a isso: números. Talvez tirar os rostos e as histórias dessas pessoas seja melhor tática do jornalista. Uma espécie de auto-defesa para não entrar em uma nóia qualquer.

Mas, ainda assim, vez por outra eu me pego colando um pouco de vida nos mortos que ganham seu espaço nos jornais. Quem eram? Quantas pessoas gostavam deles, quantas os odiavam? O que eles tinham planejado para o dia seguinte? Quem esperava por eles em um lugar qualquer? Talvez a gente nunca vá saber. De qualquer forma, pode ser salutar fazer esse exercício. Pelo menos para não perder a prática de enxergar pessoas onde a maioria vê números.

Les Issers (EFE) - Vários atentados na Argélia, Afeganistão e no Paquistão elevaram número de mortos pelo terror. Na província de Boumerdès, na região da Cabíia, 44 pessoas morreram em uma escola superior militar - 42 eram civis. NoAfeganistão, uma emboscada dos talibãs deixou 10 soldados franceses mortos e 21 feridos. Na idade de Tank, no Paquistão, pelo menos 24 pessoas morreram ontem depois de um atentado suicida na sala de emergência de um hospital. (DP. Recife, 20 de ago. de 2008)