terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Mais demissões no jornalismo pernambucano

Agora pouco fiquei sabendo de mais uma seqüência de demissões de jornalistas aqui em Recife. Essa foi a segunda notícia do tipo em menos de 15 quinze dias. Nas duas, senti como se fosse comigo. Senti a insegurança e o receio de fazer planos com medo de contar com algo que pode deixar de existir de uma hora para outra. Estamos todos no mesmo Titanic e muito provavelmente o último Jack já morreu afogado. Tenho medo de não ficar velhinha.

Desde o dia 26 busco emprego. Não estou procurando nada em assessorias. Não no momento. Resultados da busca? Até agora consegui vários nãos, uma entrevista e um teste, ainda sem resposta. Tomara saia algo logo, afinal, uma moça precisa arrumar um jeito de manter nessa vida. E quero que seja trabalhando como repórter.

Quando fiz o teste, uma das perguntas que tive que responder foi: “Por que você escolheu o jornalismo como profissão?”. Essa é a pergunta mais chata que alguém pode me fazer. Sei lá porque escolhi o jornalismo como profissão, e não sabê-lo não faz de mim uma profissional pior ou melhor. Também não teria uma frase bonita para explicar porque continuei nele, mesmo podendo ter mudado o rumo quando comecei a ouvir e ver os inúmeros problemas do mercado de trabalho. Talvez tenha sido porque sou cabeça-dura e teimo em insistir nas minhas escolhas, talvez porque não tenha conseguido me imaginar fazendo outra coisa, ou talvez porque me apaixonei pelo jornalismo.

Você consegue explicar paixão, explicar gostar? Eu não. Só sei que quando vejo uma matéria, ouço um programa de rádio ou leio um jornal e percebo que, de alguma forma isso mexeu comigo e me fez parar e refletir que existe muito mais no mundo do que aquilo que enxergo da minha janela, tenho certeza de que é isso o que quero fazer. Quero poder, também, mexer, impactar as pessoas, contando histórias. Quero ser um contador de histórias reais.

Obviamente existe um fundo de ideologia nisso que acabei de colocar, um quê de glamourização. Ok! Mas o que seria da vida sem elas?! Ainda tenho tempo para isso. Sempre se tem. Talvez daqui a alguns anos eu esteja dizendo que quero distância do jornalismo, que as redações pagam extremamente mal, que exploram, que não se pode escrever a verdade. Tudo que hoje sei, mas que finjo ignorar. Que importa?! Mientras esto, me divirto com meu passatempo preferido: reportar a vida. Mesmo que seja só para mim.

3 comentários:

Amanda disse...

Olá, quero te pedir para acessar meu blog http://adotinthesky.blogspot.com/, te indiquei o selo do "Olha Que Blog Maneiro".

Veja as regras no meu blog e pegue o selo.

Luciana Meningue disse...

Oi julia...

Desculpe utilizar o espaço mas vou deixar uma opinião...

O escritor alemão Rainer Maria Rilke dizia em seu livro mais famoso "cartas a um jovem poeta" a seguinte frase:

"se você pensa por um momento sequer que pode viver sem escrever, já não tem mais o direito de fazê-lo"

Acho que isso resume exatamente o "porque você escolheu a profissão?" que todos insistem em fazer.
Afinal, só alguém que leva a profissão por obrigação faz uma pergunta dessas... POrque então não pergunta "hey, você consegue viver sem respirar?" ou ainda "porque você faz sexo?"

poxa, se simplesmente a gente conseguisse fazer algo que desse mais dinheiro, tivesse mais campo e não fosse como uma simbiose que toma conta de nossas vidas, não acha que teríamos escolhido?

Eu teria respondido simplesmente "eu não escolhi essa profissão... ela me escolheu".

;)
abraços admirados de uma jornalista paulistana que passa sempre pra ver como vai essa força!

joao ninguem disse...

Aí eu te pergunto: Vc respondeu o que você escreveu? Não consigo ver um RH que seja recusar uma profissional tão pé no chão e segura assim. Ao contrário. É o que eles buscam - esse tipo de respostas. Respostas do tipo frases bonitinhas nem agradam nem convencem. Todo mundo sabe. Porém, surpreender com uma resposta autência e sincera... faz toda a diferença.

Bjos!